A castanha

Tempo de reler a obra de Miguel Torga, “Um Reino Maravilhoso”. Passo a transcrever um pequeno trecho:

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Mas o fruto dos frutos, o único que ao mesmo tempo alimenta e simboliza, cai de umas árvores altas, imensas, centenárias, que, puras como vestais, parecem encarnar a virgindade da própria paisagem. Só em Novembro as agita a inquietação funda, dolorosa, que as faz lançar ao chão lágrimas que são ouriços. Abrindo-as, essas lágrimas eriçadas de espinhos deixam ver numa cama fofa a maravilha singular de que falo, tão desafectada que até no nome é doce e modesta – a castanha. Assada, no S. Martinho, serve de lastro à prova do vinho novo. Cozida, no Janeiro glacial, aquece as mãos e a boca dos pobres e ricos. Crua, engorda os porcos, com a vossa licença …

O Castelo da Feira

Por estas alturas do ano, estamos em tempo de festejar a História de Portugal pelas muitas “feiras medievais” que decorrem por todo o Portugal.

No que toca à “Feira Medieval”, a decorrer em Terras de Santa Maria da Feira, que outrora era denominada por “Vila da Feira”, mas por mais que se deseje mexer na história temos de reconhecer que quando queremos ir à “Feira, ver o Castelo ou proceder ao pagamento de impostos” , não estamos a pensar se é na “Vila” ou em “Santa Maria” da Feira.

Deixando estes trocadilhos, o presente artigo pretende divulgar a obra: 

Emma: ou, A esperança e a tumba, com as cartas de Silvano e Lilia, seguidas de outras poesias”

do autor: Nuno Maria de Sousa Moura ( Tenente de Cavalaria)

Edição datada de 1845

Da qual se recomenda a leitura de “O Castelo da Feira”, que é uma parte da interessante obra e pode ser lida na sua totalidade clicando na seguinte figura:
O Castelo da Feira

Vouzela Vila Natal

 

 

Visitem Vouzela – Vila Natal!… Lá encontram desde Presépios (17!),  Molduras Vivas, Animações de Rua, Passeios de Charrete,… e Interessantes decorações. Vejam o programa clicando sobre esta figura:

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Fica aqui um pormenor sobre  a “Rua a meias”!….

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O convite à natureza

Que pena me faz a mim, filho do campo, criado ao murmúrio das águas de rega e à sombra dos arvoredos, que esta gente de Lisboa passe as horas e dias de repouso acotovelando-se tristemente pelas ruas estreitas, e não tenha um grande parque, sem luxo, de relvados frescos e árvores copadas, onde brinque, ria, jogue, toma o ar puro e verdadeiramente se divirta em íntimo convívio com a natureza!

In Prefácio, de Salazar, para a obra “A Floresta Portuguesa”, de M. Gomes Guerreiro

Gardenista

Sugestão para a visita e este interessante “site”, sobre jardim (e muito mais!…).gardenista
Quote

Recomeça…

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII

Playlist: Take Five – Dave Brubeck

Playlist: Fever – Peggy Lee

The Nobel Peace Prize 2014

 

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The Nobel Peace Prize 2014 was awarded jointly to Kailash Satyarthi and Malala Yousafzai “for their struggle against the suppression of children and young people and for the right of all children to education”

http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/peace/laureates/2014/

 

 

 

 

Ainda que mal

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘As Impurezas do Branco’

Estudo Genealógico da união dos Motas e dos Farias

Genealogia

O presente estudo tem por base os tempos mortos do dia a dia do coordenador/autor deste levantamento de dados sobre a união d’Os Motas e d’Os Farias e que se encontram compilados sobre o título “Estudo Genealógico da União d’Os Motas e d’Os Farias”, obra que, na presente edição, aberta à discussão, engloba um período que tem início antes do ano de 1764 e termina no final do primeiro trimestre do ano de 2014. Estamos assim a falar de um levantamento que abrange 4 séculos (e estima-se que serão na prática 5 séculos). Como informação complementar refere-se que serão espelhadas cerca de 61 famílias, o número de indivíduos relacionados directamente com a pessoa objeto do estudo, (…) ronda as 129 e é da ordem das 300 a totalidade das personagens aqui relacionadas. As famílias aqui tratadas – as quais se referem ao período supra mencionado – são as seguintes: Os Motas, Os Farias, Os Bastos, Os Sousas, Os Valentes, Os Costas, Os Alves, Os Domingues, Os Ferreiras, Os Soares, Os Leite, Os Pinhos, Os Almeidas, Os Silvas, Os Bordallo, Os Pinhos, Os Lopes, Os Franciscos, Os Carvalhos, Os Dias, Os Azevedos, Os Santos, Os Luís, Os Marques e Os Oliveiras. Ao longo da exposição será mencionado alguns dados associados aos nomes de cada uma das famílias referidas no “Armorial Lusitano” com a inclusão dos respetivos brasões das famílias, as quais, eventualmente, nada terão a ver com as famílias aqui tratadas. Mas em concreto nada podemos concluir sem o aprofundamento da investigação aqui iniciada. Ficamos a aguardar as devidas críticas que possam melhorar – na presente obra – a imagem de tantos intervenientes e tão poucos leitores/descendentes.

 

Comemoração dos 150 anos do nascimento de António José de Oliveira Júnior

É tempo de relembrarmos a grande figura de São João da Madeira, neste ano em que se deve comemorar os 150 anos do nascimento de António José de Oliveira Júnior.

Estamos convictos, apesar de faltar ainda um escasso período de 2 meses (relembra-se que o Comendador António José de Oliveira Júnior, nasceu a 17 de Abril de 1864),  que todos os organismos locais estão conscientes deste momento e da importância desta grande personalidade.

Deixamos aqui alguns pontos do seu vasto curriculum que poderão servir de referência:

  • Fundou em 1914 a Empresa Industrial de Chapelaria, Limitada, mais conhecida como a Sanjo.
  • Fundou em 1925 a empresa “Oliveira, Filhos & Cº., Limitada, mais conhecida como a Oliva. Parte das antigas instalações são agora a Oliva Creative Factory.
  • Agraciado pelo Governo Português, em 1930 (acta n.º 55, de 15 de Setembro de 1930) com a Comenda de Mérito e Benemerência.
  • Foi o Primeiro Provedor da Misericórdia local (Regional n.º 20, de 10 de Novembro de 1922).
  • Foi vereador da Câmara de Oliveira de Azeméis onde defendeu a independência de São João da Madeira. (Ver pág. 228, da obra “São João da Madeira – Cidade do Trabalho).

Registo de óbito

Ás dezasseis horas do dia vinte e nove do mês de Janeiro do ano de mil novecentos trinta e cinco, numa casa da rua Oliveira Júnior, da freguesia de São João da madeira, deste concelho, faleceu de pneumonia, um individuo do sexo masculino, de nome António José de Oliveira Júnior, de setenta anos de idade, de profissão industrial, natural da Freguesia de São João da Madeira, Concelho de São João da madeira, domiciliado na rua referida, filho legitimo de António José de Oliveira, já falecido, natural da Freguesia de Pindelo, Concelho de Oliveira de Azeméis e de Teresa da Silva já falecida, natural da Freguesia de São João da Madeira, Concelho de S. João da madeira.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo

Postal Faliz Natal 2 Postal Feliz Natal1

Dicionário Electrónico ESTRAVIZ

(Deixo aqui parte do texto introdutório deste excelente trabalho. Bem hajam.)

“Acerca do e-Estraviz

O tesouro lexical galego, agora na rede, conta com mais de 127.000 entradas

O mais completo dicionário galego em linha, o Electrónico Estraviz (e-Estraviz), já é uma realidade. Na versom electrónica nom só foi feita uma adaptaçom para a norma histórica e etimológica da língua galego-portuguesa do Dicionário Estraviz -o mais contrastado dos dicionários galegos publicados até hoje-, mas também uma revisom individualizada de cada verbete e definiçom, com correcções e acréscimos.

A esse labor uma equipa de até quinze pessoas, sob a direcçom do próprio lexicógrafo Isaac Alonso Estraviz, dedicou muitas horas e muito carinho.”

logo-estraviz

Cliquem na imagem e entrem no Estraviz.

Viver sem comentadores

Porque teremos de estar mortos em vida?

Fataunços – Visita da Rainha D. Amélia

Como elemento equilibrador entre a contemporaneidade e os tempos
que já lá vão, sugiro a leitura do seguinte texto sobre Fataúnços
e de outras terras neste endereço:  
http://www.archive.org/stream/sempassarafront00pimegoog/sempassarafront00pimegoog_djvu.txt

FATAUNCOS 

De todas as notícias relativas á mlUgiatwre de sua 
magestade a rainha D. Amélia nas Caldas de S. Pe- 
dro do Sul^ uma, principalmente, me i€z impressão, 
e de certo também a faria a todas as pessoas que não 
desconhecem os costumes das povoações ruraes no 
norte do paiz. 

Reiiro-me aos pormenores da visita da rainha á 
íreguezia de Fataunços, que pertence ao conedftio de 
Vouzella, e fica a mais de trez léguas de Vizeu. 

Foi a rainha convidada a honrar com a sua pre- 
sença esta povoação, e por bem empregado daria sua 
magestade o tempo que consagrou ao passeio a essa 
aldeia, em que eu apenas posso descobrir um defeito : 
o nome. 

Fataunços nSo é, em verdade, uma denominação 
harmoniosa e poética, mas sobram á terra predicados 
que descontem a dissonância do nome. 

É ameno o sitio, ubérrima a terra, saudável e 

328 

apradvely rica de agoa e de sombra como todas as 
do yalle de LafSes. A opulência dos pastos enverdece 
copiosamente a vastidão dos prados, onde se criam 
vitellas qae passam por ser as mais saborosas de Por- 
tugal. 

Além do pittoresco da região, condecora-se Fa- 
taunços com algumas relíquias archeologicas, taes co- 
mo a Torre doa mouros, solar da familia Lemos. O 
progresso levou á povoação o seu influxo civilisador 
com a creação de uma escola e bibliothecai que em 
1870 foram fundadas por um filho de Fataunços esta- 
belecido como typographo no Porto. 

Chama va-se esse benemérito cidadão José Louren- 
ço de Souza ^ e justo é recordar o seu nome com a 
louvor que merece. 

A rainha, espirito educado no gosto e cultura das 
bellas-artes, apreciaria certamente a formosura da 
paizagem, e o pittoresco das ruinas da torjre mouris- 
ca. Boa e carinhosa para com as creanças, folgaria 
de encontrar ali uma escola construída segundo os 
preceitos da pedagogia e da hygiene, enriquecida de 
mais a mais pela adjuncção de uma bibliotheca. 

Mas quero crer que a recepção que sua magestade 
teve em Fataunços será, no espirito da rainha, uma 
recordação indelevelmente saudosa. 

1 

Tinha as suas officinas typographicas na rua do 
Bomjardim, d'aquella cidade. Foi edUor de muitas publica- 
ções, taes como Almanach Píwíwen«e, Archivo jwridico, 
etc. 

327 

Sstá sna magestade habituada, desde que entrou 
em Portugal e soube conquistar as sympathías dos co- 
raç3es portuguezes, a ser recebida por toda a parte 
com enthusiasticas manifestações de carinho e respei- 
to. ComtudOy nenhuma festa organisada em honra de 
sua magestade poz ainda mais a descoberto a sinceri- 
dade^da alma portugaeza na sua fé ingénua e espon- 
tânea^ que ainda se conserva na vida simples e labo- 
riosa da província, mas que totalmente se tem perdido 
nos grandes centros de população do nosso paiz. 

O Commercio do Porto, descrevendo as festas rea- 
lizadas em Fataunços, dá um pormenor, que, por ex- 
traordinário, não deve passar despercebido. 

. «A entrada da localidade havia um arco ornado 
de lenços de seda e fios de contas de ouro. Grrupos de 
camponezas cantavam canç5es populares.]» 

Foi justamente este pormenor, apparentemente 
vulgar, que chamou e demorou a minha attençâo, 
tanto mais que eu sou um dos raros portuguezes que 
ainda não foram a Pariz, mas que menos mal conhe- 
cem as provineias de Portugal. 

Desculpe- se-me esta vaidade á conta de amor pela 
terra em que nasci. 

Deante doesse arco ornado de lenços de seda e de 
contas de oiro eu descubro a cabeça e curvo-me res- 
peitoso, porque elle é, na sua mais profunda significa- 
çaO| a maior homenagem que a camponeza do norte 
do paiz pode prestar a uma princeza querida e ama- 
da por o povo. 

Não se diga por espirito politico, que inteiramente 

L^ai 

328 

affasto d'e8ta ligeira chronica e qae nXo é manjar que 
me tente o apetite, que Fataunços jaz ainda n'uma 
ignoraneia crassai comparável á que o arcebispo Dom 
Frei Bartholomeu dos Martyres foi surprehender na» 
alturas de Barrozo. 

Como sabemos, ha vinte e cinco annos que em Fa- 
tannços fnncoionam uma escola e uma biblictheca, e 
um quarto de século de instracçSLo alguma luz deve 
ter lançado no espirito d'aquelle povo, dócil e bom^ 
portanto disposto a deixar-se conduzir, se não para a 
bibliotheca, ao menos para a escola. 

O que ali ha nSo é por certo a ignorância primi- 
tiva, mas a primitiva candura, mas a fé immaculada,. 
a sinceridade espontânea da alma portugueza. 

As camponezas de Fataunços, encantadas com a 
rainha que tinham ido vêr a S. Pedro do Sul, quíze- 
ram expressar-lhe toda a estima, todo o enthusiasmo 
carinhoso que sua magestade lograra inspirar-lhes, e 
para traduzir quanto sentiam não acharam melhor 
meio do que arreiar com as suas mais ricas alfaias, 
cem. todo o seu oirOy o arco por baixo do qual a rainha 
devia entrar na povoação. 

Os lenços de seda e as contas de oiro, dispostos em 
bambolins certamente graciosos, representam toda a 
historia da vida aldeã: os proventos colhidos no duro 
trabalho dos campos, ao sol, ao frio, lavrando a terra, 
ceifando a messe, esfolhando o milho, padejando o tri- 
go, malhando o centeio, pastoreando o gado, fomejan- 
do o pão, embarrelando o bragal, tecendo o linho, en- 
xadando a gleba. 

329 

Todo o poema do trabalho aldeSo^ toda a cbronica- 
da cansada vida rural pendia em estrophes d'aquell&^ 
arco de triumpho; escriptas na seda dos lenços e no oiro^ 
das contas. 

Era como se as mulheres de Fataanços quizessem 
disser á rainha : «Toda a nossa existência, com todos os* 
nossos thesouros conquistados á força de trabalho, per- 
tencem a vossa magestade. Vêde-os aqui^ para que os 
honreis contemplando-os.» . 

Nenhum arco de triumpho escuipturado em mar* 
more valeu ainda a significação d'aquelle arco. 

 camponeza do norte do paiz é ciosa, avara das 
suas galas, especialmente do seu oiro. Mata-se para 
conquistal-as, e procura conserval-as como á própria 
existência. Não se desfaria d'ellas para comprar um 
palácio, por mais barato que lh'o quizessem vender ;, 
mas da melhor vontade as emprestou para vestir fes- 
tivamente com os seus lenços e com os seus collares o 
arco por onde a rainha devia passar. 

Chega a ser encantadora esta sincera homenagem. 

E ao mesmo tempo demonstra a honestidade dos- 
costumes campestres do norte do paiz — a ausência 
completa de gatunos, que pudessem pôr em risco a se- 
gurança dos cordSes de oiro das camponezas. 

Não faltou uma só conta, pela simples razão de não 
appareoer gatuno algum. E não appareceu, pela razão- 
ainda mais simples de os não haver em Fataunços. 

Ali vive-se trabalhando, lidando na industria pri- 
mitiva da humanidade : a agricultura. Â terra é a 
grande officina explorada por toda aquella população^ 

830 

rústica. E as alfaias, as jóias que ali estavam expos- 
tas eram sagradas, porque representavam os tropheus 
do trabalho, os despojos opimos da eterna batalha feri- 
da contra a terra subjugada. 

Em Lisboa, n'esta occasião em que se preparam 
as festas antoninas, os arcos da rua do Oiro — que 
tanto ^oiro poderia exhibir — sSo de ferro. Os cestos 
<5om que estão gaveados os mastros da rua dos Ke- 
trozeiros sSto de palha. . . apenas doirada. A bisarma 
monstruosa das escadas de Santa Justa é uma coisa 
que não valeria a pena roubar, e ainda menos cons- 
truir. Nâo ha, cautelosamente, nada de bom e valioso 
que os gatunos possam roubar, porque, se houvesse, 
nem Santo António lhe valeria. 

Em Fataunços o arco era de oiro^ e nâo faltou 
uma só conta quando a festa acabou! 

Ó Fataunços ! ó ditosa e honrada terra, onde o 
Sacarrâo é um mytho extranho, de que se ouve fallar 
com terror pela ideia associada da rapinagem alfaci- 
nha, de que esse grande cabo de guerra policial tem 
sido, por tanto tempo, o perseguidor heróico ! 

A rainha pode dizer que viu em Vouzella um re- 
talho do paraíso terreal, sem a serpente bíblica, que 
tentasse os camponezes a colherem o pomo de oiro 
prohibido, e pode ainda dizer mais que viu e ouviu o 
coraçSo portuguez palpitar no peito de uma população 
ainda não degenerescida moralmente pelas ruins paixões 
de que enfermam as cidades policiadas. 

As mulheres de Fataunços,» em vez de estarem 
inquietas pelos seus lenços e pelos seus cordões, can- 

331 

tavam tranquillas, em honra da rainha, as cançSes 
populares da sua terra. 

Sentiam-se felizes por terem enfeitado esse arco de 
triumpbo com toda a riqueza das suas arcas. 

E nenhum gatuno-Mephistopheles sorria velhaca- 
mente por de traz das arvores, espreitando a occasiâo 
de arrancar dois lenços de seda e dois cordões de oiro. 

Manifestamente, a rainha comprehendeu a extra- 
nha originalidade de tudo o que tinha presenceado 
em Fataunços. Partiu d'ali encantada e commovida. 

O Commercio do Porto concluo a sua narração 
dizendo : 

«cEm Fataunços tocou a philarmonica d'aqui, e na 
despedida sua magestade a rainha, 'Vivamente impres- 
sionada, dizia não esquecer aquella localidade, onde 
prometteu voltar, e emquanto avistou Fataunços ace- 
nava da carruagem com o lenço.» 

O lenço da rainha, despedindo- se dos lenços que 
ficavam pendentes do arco, dizia certamente no silen- 
cio eloquente de uma separação saudosa : «Nunca tinha 
visto isto, e nunca mais o poderei esquecer.» 

Junho de 1895.
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Quinta de Fataunços

Quinta das Lombas ou Quinta de Fataunços

Jardins deslumbrantes – “Keukenhof” – Holanda

Sugere-se a visita ao sitio: http://www.keukenhof.nl/en/

 

Miguel Torga – Prelúdio

Reteso as cordas desta velha lira,
Tonta viola que de mão em mão
Se afina e desafina, e donde ninguém tira
Senão acordes de inquietação.

Chegou a minha vez, e não hesito:
Quero ao menos falhar em tom agudo.
Cada som como um grito
Que no seu desespero diga tudo.

E arrepelo a cítara divina.
Agora ou nunca – meu refão antigo.
O destino destina,
Mas o resto é comigo.

Miguel Torga

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Próspero Ano Novo!

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Feliz Natal

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Ilusões e Ficções de modernidade

Sugere-se a leitura do excelente trabalho de “Dissertação de Mestrado do Programa de pós-graduações Arquitectura, Território e Memória do Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra” do arquitecto Ivo Oliveira, com o título:

Ilusões e Ficções de modernidade

Na fábrica OLIVA de São João da Madeira

Deixo aqui, a título de motivação para a consulta deste trabalho, uma parte da “justificação” apresentada pelo autor:

As circunstâncias ou motivações que nos levam ao encontro de uma problemática a investigar são diversas. As deste trabalho remontam aos anos da minha infância em que viajei regularmente entre Lisboa e Porto pela Estrada Nacional Nº1.

Perdido na imensidão dos quilómetros fui ao longo dos anos utilizando edifícios “excepcionais” que surgiam no percurso, como elementos de referência. Através deles sabia se a pausa, o lanche ou a chegada se aproximavam. Recordo-me ainda, ao sair de Lisboa, do grande volume da fábrica da cerveja com as grandes janelas que permitiam ver as cubas de latão manipuladas por homens  vestidos de branco, recordo-me de em Vila Franca, passar por baixo daquela máquina que vinha das montanhas e da cor cinzenta daquela paisagem. Em Coimbra, os Silos da fábrica Triunfo sobrepunham-se a qualquer outra história eventualmente mais relevante, em São João da Madeira a Oliva com aquela fachada curva e a torre imponente, diziam-me que a viagem se aproximava do fim; Já a chegar ao Porto, ao ver U.T.I.C., descansava. Estes edifícios ficaram-me na memória, eram elementos de excepção, numa paisagem que se construía e se destruía quotidianamente.

O trabalho poderá ser consultado no seguinte endereço eletrónico: https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/5870

Com o tempo, você vai percebendo que,

“Com o tempo, você vai percebendo que,
para ser feliz com uma outra pessoa você precisa,
em primeiro lugar,
não precisar dela…
Você aprende a gostar de você,
a cuidar de você, principalmente,
a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas…
é cuidar do jardim
para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando…
mas quem estava procurando por você!”

Mario Quintana

Postal publicitário das Máquinas de Costura Oliva – ano de 1944

O maior prazer

“O maior prazer de uma pessoa
inteligente é fingir ser idiota, diante de
um idiota que finge ser inteligente.”

Conimbriga, Ciudad Romana 3d / Virtual Roman City of Conimbriga

Marketing dos anos 50 – Máquinas de Costura Oliva

Foto dos anos 1950 da Oliva, sociedade que teve várias denominações sociais, entre as quais: Oliva Industrias Metalúrgicas, SA, Oliva – Soluções de Fundição, SA, etc…

Macieira de Cambra

Macieira de Cambra, mais que um lugar de passagem, é um lugar aprazível para onde se refugiavam as gentes das cidades vizinhas nos meados do século passado para retemperarem as energias desgastadas nas cidades.

Assim, podemos encontrar diversos pontos de repouso dos quais destaco o “Solar das Laranjeiras“, “Pensão Suissa” e a “Estalagem Quinta Progresso“.

Keane “Somewhere Only We Know” (legendado)

INXS – Never Tear Us Apart